Ele se sente triste ao entrar no amplo apartamento onde moram. O homem e a esposa como de costume haviam acabado de deixar a moça bonita - secretária dela - em casa. Derreado no sofá, observa a esposa se dirigir ao quarto na penumbra.
Não acende as luzes da sala. Quando a claridade lateral proveniente do quarto desaparece - com o fechar da porta - ele se vê engolfado pela escuridão. E pela solidão. Sente uma forte vontade de chorar. Mas não chora. Se fosse mais fraco ou mais forte talvez chorasse.
Não acende as luzes da sala. Quando a claridade lateral proveniente do quarto desaparece - com o fechar da porta - ele se vê engolfado pela escuridão. E pela solidão. Sente uma forte vontade de chorar. Mas não chora. Se fosse mais fraco ou mais forte talvez chorasse.
Pensa na moça pra quem ele e a esposa deram carona. Depois voltaram pra casa deles. No carro deles. Em pouco tempo estará no quarto deles. Na cama deles. E no final nada era realmente deles. O casal não se amava mais, mas fazia amor.
Levanta-se do sofá. Vai à cozinha. Acende a lâmpada. A lâmpada fluorescente aumenta ainda mais sua sensação de solidão. É possível ouvir o som mínimo dos starters e do motor da geladeira. Mexe no eletrodoméstico.
Senta-se à mesa. Num prato à sua frente: maçã, queijo minas, laranja mexerica. A parte superior da maçã sem o talo: o umbigo da moça bonita. O queijo minas: brancura e frutescência da sua jovem pele. Por parecer um pouco com os lábios da moça, ele escolhe primeiro a mexerica. Cada gomo é um lábio e como tal sugado à exaustão.
Finda o lanche noturno. Vê cascas e bagaços. Sobras. Nada o surpreende. Já sabe que, afinal, mesmo se escolher a moça bonita o fim será: breve saciedade e cascas e bagaços. Sabe que - como todos os outros humanos sobre a terra - não tem ninguém: mesmo asfixiado por amigos e parentes e familiares e amantes.
A mulher o espera sem perfumes sem lingeries especiais com sonolência no quarto. Ele continua com o pensamento triste. Sabe também que sua escolha - se é que venha a acontecer - não representará nada.
O que escolher – a rotina ou a moça bonita, a convenção ou a aventura, a convivência pacífica ou o sexo selvagem, a respeitabilidade ou o exibicionismo – fará dele um sujeito só e infeliz. Pensa na fala da secretária, sua amante: Você quer continuar com aquela japonesa ridícula? Faça alguma coisa por nós!
No banheiro do quarto, observa por minutos uma corda fina de náilon azul. A corda está guardada há meses pra um objetivo especial. Ele chega a acariciá-la com os dedos. Treina no seu próprio pescoço. Talvez nesta noite, ele pensa.
Depois ele abre uma caixa que esconde da esposa. Lê rótulos: Uprima, Levitra, Cialis, Viagra. Escolhe o Levitra. Embalagem de um comprimido. Sua ação tem início em pouco mais de quinze minutos. O efeito é de seis a oito horas.
Levanta-se do sofá. Vai à cozinha. Acende a lâmpada. A lâmpada fluorescente aumenta ainda mais sua sensação de solidão. É possível ouvir o som mínimo dos starters e do motor da geladeira. Mexe no eletrodoméstico.
Senta-se à mesa. Num prato à sua frente: maçã, queijo minas, laranja mexerica. A parte superior da maçã sem o talo: o umbigo da moça bonita. O queijo minas: brancura e frutescência da sua jovem pele. Por parecer um pouco com os lábios da moça, ele escolhe primeiro a mexerica. Cada gomo é um lábio e como tal sugado à exaustão.
Finda o lanche noturno. Vê cascas e bagaços. Sobras. Nada o surpreende. Já sabe que, afinal, mesmo se escolher a moça bonita o fim será: breve saciedade e cascas e bagaços. Sabe que - como todos os outros humanos sobre a terra - não tem ninguém: mesmo asfixiado por amigos e parentes e familiares e amantes.
A mulher o espera sem perfumes sem lingeries especiais com sonolência no quarto. Ele continua com o pensamento triste. Sabe também que sua escolha - se é que venha a acontecer - não representará nada.
O que escolher – a rotina ou a moça bonita, a convenção ou a aventura, a convivência pacífica ou o sexo selvagem, a respeitabilidade ou o exibicionismo – fará dele um sujeito só e infeliz. Pensa na fala da secretária, sua amante: Você quer continuar com aquela japonesa ridícula? Faça alguma coisa por nós!
No banheiro do quarto, observa por minutos uma corda fina de náilon azul. A corda está guardada há meses pra um objetivo especial. Ele chega a acariciá-la com os dedos. Treina no seu próprio pescoço. Talvez nesta noite, ele pensa.
Depois ele abre uma caixa que esconde da esposa. Lê rótulos: Uprima, Levitra, Cialis, Viagra. Escolhe o Levitra. Embalagem de um comprimido. Sua ação tem início em pouco mais de quinze minutos. O efeito é de seis a oito horas.
Não é uma necessidade física – ele tem só quarenta e poucos anos – é uma necessidade psicológica. Vê a esposa na cama sob lençóis. Os olhos puxados quase adormecidos. Ele lembra do possível efeito colateral: terá dor de cabeça amanhã. Mas isso ele já tem de sobra.


4 comentários:
O.o
Sem muito o que comentar.
O que escolher-...-fará dele um sujeito só e infeli
Fiquei até com pena do cara...
=/
Abraço!
Noossa,quantas dúvidas.
Se ele não a ama mais,então porque fica com ela? Só para dizer a todos que é "casado"?
"O que escolher fará dele um sujeito infeliz..."
Pelo que vi ele já é infeliz,então se ele acreditava que podia ter algum tipo de aventura com a tal secretária,não seria melhor viver essa aventura?!
Ele seria infeliz de qualquer jeito,ora. Então que fosse com essa 'ilusão' amorosa...
Mas...gostei,gostei!
Espero ansiosamente próxima quinta.
Muito bom. Dúvidas , dúvidas e dúvidas.
Talvez um dilema. Porém com uma simples resposta: vale a pena? Se ele pudesse responder isso ele com certeza resoveria o caso.
Parabéns.
Que sujeito mais infeliz :/. Aquelas velhas duvidas que sempre estão presente em suas narrativas. Mais uma vez mandou super bem :)
beijo.
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